quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Engano.

Seria cômico se não fosse trágico. Ele pensava reconhecer o carro dela por um adesivo que se encontrava no vidro do carro. Tinha carro prata, vidros fumê e adesivo? Era ela! Assim, parecia que ela o perseguia, que resolvia passar sempre onde ele estava. Só de pensar que seus olhares se encontravam separados pelo abismo de uma folha preta colocada no vidro do carro ele sentia vontade de sair correndo em direção a ela toda vez que avistava aquele adesivo passeando pelas ruas do centro da cidade. E foi o que fez. Uma noite dessas, por impulso, saudade e tantas outras coisas mais que lhe vieram na cabeça, ao avistar o carro estacionando, ele foi flutuando naquela direção, louco para olhar naqueles olhos denovo. E quando se aproximou da porta quase já derrubando sobre ela palavras que esperaram tanto tempo para serem ditas, uma outra mulher nunca antes vista,uma senhora, saiu do carro. De baixa estatura, cabelos já brancos e curtos. Nem percebeu a presença dele ali. Não fazia diferença alguma. Ele não entendeu muito bem, mas não tinha nada a ser feito, então juntou os cacos do seu coração que acabara de ser despedaçado a marretadas e não quis nem voltar pra mesa onde bebiam os amigos. Juntou seus cacos e foi embora.
No dia seguinte quando abriu seu portão deu de cara com aquele automóvel maldito parado em seu portão e dessa vez já não sabia nem o que pensar, já não tinha mais o que pensar, foi quando um homem esguio com barba por fazer encheu o carro de quinquilharias retiradas do bar ao lado e foi embora. Logo em seguida ouviu um cantar de pneus, que acredite, vinha do carro prata com adesivo e vidros escuros. Ele relutou em crer, que iguais aos dela, existiam vários na cidade, que por trás de folhas de insufilme, poderiam estar vários olhares que não fossem os dela. Ela poderia estar em casa dormindo ou até bem mais longe. Não quis crer que todas as vezes em que ele pensou tê-la visto, pode ter se enganado e ter feito seu coração bater forte por um desgraçado adesivo, um desconhecido por trás deste. Só.
Ele nunca mais a viu. Porém, até hoje, disfarçadamente, como se não quisessem se admitir, seus olhos ainda se voltam para todo carro peculiar, de cor prateada e o tal adesivo da concessionária. Olhando, não querendo olhar. Sentindo, não querendo sentir. E ainda não sabendo.





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