segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tarde, doce tarde.

Numa dessas tardes de sábado - sendo mais específica, a última tarde de sábado - depois de um dia debruçada em montantes de apostilas, eu me deparei com um céu lindo que trazia de brinde um arco-íris, desses que roubam a cena de qualquer núvem quando aparecem pelo céu. Havia também um tanto de outras coisas nem tão bonitas assim naquele sábado. Tinha Aniversários, os quais eu não consegui vencer o cansaço pra desejar os parabéns pessoalmente e dar abraços e ver sorrisos. Tinha física, calculos e fórmulas que não queriam, nem por um segundo, sussegar em minha cabeça. Tinha pessoa, uma em especial, que queria minha companhia por mais tempo do que eu estava disposta a ficar e muito mais intensamente do que eu me permiti ser. Mas no fim da tarde de sábado, o arco-íris estava lá, sorrindo pra mim. Foi assim que todo o resto virou apenas resto. Mais uma vez meu dia valeu à pena.

domingo, 13 de março de 2011

Terça-feira de Carnaval

O sinal primeiro partiu dos olhos. Fixos nos dele- negros feito uma noite tempestuosa- cheios de intensidade. De um desejo que meu corpo de carnaval queria, mas não tinha certeza se realizaria. O segundo, talvez tenha sido o modo como se aproximou. Como se, por toda a multidão, ele pudesse me sentir ou ver, como se num mundo preto-e-branco, só existisse a mim em cores.
A música ao redor nós não era tão sensual ou divertida, mas não chegava a ser um mero detalhe. O espaço entre nós se estreitou quase que expontaneamente, e antes de saber seu nome eu já podia sentir suas mãos ao redor da minha cintura. Seus lábios miravam os meus, mas desviaram antes de encontrá-los e se dirigiram, marotos, aos meus ouvidos ansiosos por seu inédito tom e som de voz.

Ouvi a risada antes das palavras. Um nome. Um elogio. Uma graça. Sorri. Pronunciei talvez as mesmas coisas. Talvez até as mesmas palavras. Pude ouvir a risada mais uma vez antes de encarar o rosto vivo e bonito novamente. Ele também sorria. O próximo passo era tão óbvio que eu me deixei fechar os olhos mesmo antes dos nossos lábios se tocarem. Os corpos já estavam devidamente entrelaçados, e minhas mãos pareciam ter encontrado seu lugar no cabelo peculiar. O tempo já não era tão importante e nós abusamos dele, indiscriminadamente. Me senti sorrir em seus lábios e percebi a música animada da noite de festa voltar aos meus ouvidos anteriormente entorpecidos pelo nosso primeiro contato. E pelo segundo também. Por todos eles. E com a música veio a separação lenta e indesejada, cheia de voltas e lábios e linguas e puxões - na camisa dele e na minha. Dei meu melhor sorriso, mas isso não significa que eu quisesse deixá-lo. Ele sorriu e me beijou, quase de leve, e nossos corpos se separaram com algum esforço.

"A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão

Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval."


Novo Amor - Maria Rita

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Belle D`Jour.

Praia Grande
Eu lembro da moça bonita
Da praia de Boa Viagem
E a moça no meio da tarde
De um domingo azul
Azul, era Belle de Jour
Era a bela da tarde
Seus olhos azuis como a tarde
Na tarde de um domingo azul
 La Belle D`Jour

La Belle de Jour
Era a moça mais linda
De toda a cidade
E foi justamente pra ela
Que eu escrevi
O meu primeiro blues...
Mas Belle de Jour
No azul viajava
Seus olhos azuis como a tarde
Na tarde de um domingo azul
La Belle de Jour!...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os doces e o plano.

Com a boca suja num dos cantos– ele comenta com ela– entre a primeira e a segunda dentada:

- Impressionante amor, esses doces. Esse curso que você fez de gastronomia… Nossa. Cada doce melhor do que o outro.
- Obrigada, mas eu preciso fazer um curso só de salgados. Ainda não sei fazer muito bem salgadinhos.
- meu amor, não tem nada de errado com os seus salgados. Mas os doces, meu deus! Esse aqui, nossa! Meu amor, acho que eu nunca comi nada tão gostoso em toda a minha vida.
- Obrigada meu amor.
- ´É o…o… quarto que eu como.
- Não, é o sexto. Mas tem mais, pode comer quantos você quiser.

Dois meses antes ela tinha descoberto que ele estava traindo-a com a sua melhor amiga. Ela sofreu como nunca havia sofrido em toda a sua vida. Mas em silêncio. Alguns dias depois, procurou um curso de culinária. De doces.
A família dele tinha histórico de diabetes e colesterol alto.
O raciocínio era simples:


Ele destruiu o coração dela.
Ela iria entupir as veias do dele.



(bigodemolhado.com)






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Engano.

Seria cômico se não fosse trágico. Ele pensava reconhecer o carro dela por um adesivo que se encontrava no vidro do carro. Tinha carro prata, vidros fumê e adesivo? Era ela! Assim, parecia que ela o perseguia, que resolvia passar sempre onde ele estava. Só de pensar que seus olhares se encontravam separados pelo abismo de uma folha preta colocada no vidro do carro ele sentia vontade de sair correndo em direção a ela toda vez que avistava aquele adesivo passeando pelas ruas do centro da cidade. E foi o que fez. Uma noite dessas, por impulso, saudade e tantas outras coisas mais que lhe vieram na cabeça, ao avistar o carro estacionando, ele foi flutuando naquela direção, louco para olhar naqueles olhos denovo. E quando se aproximou da porta quase já derrubando sobre ela palavras que esperaram tanto tempo para serem ditas, uma outra mulher nunca antes vista,uma senhora, saiu do carro. De baixa estatura, cabelos já brancos e curtos. Nem percebeu a presença dele ali. Não fazia diferença alguma. Ele não entendeu muito bem, mas não tinha nada a ser feito, então juntou os cacos do seu coração que acabara de ser despedaçado a marretadas e não quis nem voltar pra mesa onde bebiam os amigos. Juntou seus cacos e foi embora.
No dia seguinte quando abriu seu portão deu de cara com aquele automóvel maldito parado em seu portão e dessa vez já não sabia nem o que pensar, já não tinha mais o que pensar, foi quando um homem esguio com barba por fazer encheu o carro de quinquilharias retiradas do bar ao lado e foi embora. Logo em seguida ouviu um cantar de pneus, que acredite, vinha do carro prata com adesivo e vidros escuros. Ele relutou em crer, que iguais aos dela, existiam vários na cidade, que por trás de folhas de insufilme, poderiam estar vários olhares que não fossem os dela. Ela poderia estar em casa dormindo ou até bem mais longe. Não quis crer que todas as vezes em que ele pensou tê-la visto, pode ter se enganado e ter feito seu coração bater forte por um desgraçado adesivo, um desconhecido por trás deste. Só.
Ele nunca mais a viu. Porém, até hoje, disfarçadamente, como se não quisessem se admitir, seus olhos ainda se voltam para todo carro peculiar, de cor prateada e o tal adesivo da concessionária. Olhando, não querendo olhar. Sentindo, não querendo sentir. E ainda não sabendo.





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

7 de Dezembro.

Pela vigésima vez eu presencio o terminar de mais um ano. Há 20 anos atrás tudo era diferente. Há 20 anos eu estava chegando aqui, sem ter nada a dizer pra ninguém, aliás dizia muitas coisas com aquele olhar indefeso, mas só, porque falar mesmo não fazia a mínima ideia de como o fazer. Há 20 anos eu venho montando um álbum gigantesco de recordações lindas dentro da minha memória. Os natais em família, o primeiro tombo de bicicleta, a primeia letra escrita na escola, as tardes tão divertidas brincadas na roça, os abraços de quem eu não vejo mais. Tudo isso me constrói, cada pessoa que passou, cada pessoa que ficou... Cada uma delas deixou em mim uma peça única que ajuda a montar o quebra-cabeças que eu sou. Minha vida são meus amores. Do mais simples ao mais intenso. Isso me faz feliz.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Pausa.

Vou me distanciar das palavras por um tempo. Se sentir saudades volto hoje mesmo. Se não, nunca mais.!